terça-feira, 10 de novembro de 2009

Trabalhador incolor

Vagueio inócuo pelas ruas,
Sozinho no meio da multidão.
Os empurrões, encontrões tornam-se constantes,
Algo que nunca mudará.
O sentimento de imponência…

Chego ao destino e o som ainda não se propaga,
Só começa a melodia ao abrir a porta
Num tom monocórdico bastante elevado.
Uma sinfonia imprópria para qualquer ouvido
Mas uma música que todos já ouvimos.

Sou um como muitos outros que se limita a ouvir.
A liberdade de expressão não se aplica aqui.
O silêncio é a melhor palavra dizem eles.
Ninguém responde…

Sinto-me como um espelho, indefinido…
Vou reflectindo a imagem do mundo.
Manter-me actualizado.
Mas sou água, sou oceano.
Um invisível mortal

Admito, sou transparente ao olho despercebido.
Mas tenciono ganhar cor, ganhar vida
Crescer, colorir-me.
Penso que o sonho é um pincel com milhões de cores mesmo à mão,
O que lhe falta é imaginação, indecisão
E força de realização

De momento ainda não sou.
Sou, mas não sou
Afinal sou!
Um trabalhador incolor.