quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Vida, morte e vice versa

Acordo de manhã com a cara por lavar,
Vagueio pela rua, cambaleando nos meus passos...
Sujas são as roupas que me cobrem o corpo.
Tenho pedaços de mim que já estão mortos à anos.

Sou olhado com desprezo, cuspido na face e esmurrado no rosto.
As pessoas ignoram quando estendo a mão ou quando peço pão!
De tantas lágrimas o meu rosto secou salgado à luz dolorosa do sol.
À medida que o tempo passa vou morrendo cada vez mais, bocadinho por bocadinho...

Assim, com o tempo e com a fraqueza do meu corpo,
Este, acaba de se enterrar na terra que em tempos me serviu de chão.
É agora o meu lar, o meu encosto, o meu cobertor, a minha campa.
Está na hora de dizer as últimas palavras e não vaguear mais...

Não obstante, os mortos são imortais!
Invariáveis no tempo, não envelhecem, não engordam,
Não ficam doentes ou guardam rancores.
São deuses, são jovens para sempre!

No entanto prefiro a efemeridade que a vida nos dá:
Nascer, correr, cair, esmurrar o joelho e chorar até casa!
Criar amores enquanto jovem, guarda-los quando adulto,
Mostrar emoções, guarda-las, envelhecer e talvez adoecer...

Viver é soberano, é a sensação de sentir a carne dentro de nós
Que mexe e remexe, é sentir tudo o que nos rodeia, mergulhar,
mergulhar na vida é ser plácido na placidez dos tempos plácidos.
Viver é o complemento da vida. Viver é todo o orgulho que tenho em mim.